segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

A NECESSIDADE DO OUTRO

Professor Wagner Freitas

Data: 17/05/2005

Como viver em um mundo fechado em si mesmo? Seria possível enclausurar-se na ficção de viver sem a dependência do outro? Já imaginou existir um mundo somente de homens e mulheres totalmente segregados sem qualquer possibilidade de copulação? Certamente o mundo estagnaria. Pergunte a um enclausurado político que sofreu na pele as barbáries das repressões ocorridas em distintos períodos no Brasil o que é está em um lugar inóspito, sem luz e sem voz humana? Pegue um pássaro acostumado a viver em completa liberdade e ponha-o em uma gaiola, veja como ele procede?

Não é bem dessa forma que vivemos, mas parece que estamos caminhando para isso. As pessoas estão mais voltadas para si. O que importa é o agora. O pensamento é: “agora vou trabalhar para comprar isto, mas tarde vou juntar mais dinheiro para ter aquilo etc, etc, etc”. O homem está vivendo em sua própria jaula. Será realmente que somos animais racionais? Se somos, porque vivemos presos, com grades pontiagudas ou até eletrificadas? Por que a preocupação das famílias de classe média à alta darem aos filhos um telefone particular (celular)? Somos prisioneiros do nosso medo social gerado pela sociedade e abandonado pelo Estado. Por que será que eu tenho que derrubar o meu semelhante para poder vencer na vida? O denominador comum da vida é a concorrência.

O pensamento dos pais é possibilitar os seus filhos a obterem uma vaga na Universidade, se possível pública – não sabendo eles que o projeto político do FMI (Fundo Monetário Internacional) é sucatiar as Universidades públicas para depois poder privatizá-las. Os pais não estão preocupados na cidadania das suas proles – muitas vezes transferem a responsabilidade aos educadores escolares – e sim na carreira profissional deles.

Isso tudo são projeções dessa política neoliberal nefasta, individualista, em que segregam culturas, raças, etnias: “o meu é mais importante do que o teu”. O verbo Ter se impõe ao verbo Ser. Pensam no futuro, mas se esquece de viver o agora.

O mundo está em crise porque falta identidade social ao seu povo. A identidade é o alicerce na vida cotidiana das pessoas, mesmo quando se parece que tudo em sua vida vai bem, o inusitado aparece e vai querer que você externe a tua identidade. O namoro é um grande exemplo. As incertezas existentes no namoro é justamente a falta de identidade. Se você está inseguro no namoro é porque falta uma identidade entre vocês que seja capaz de uni-los novamente.

É isso, homem e mulher, vivendo em união para dar seguimento à história, sem desconfiança, sem egoísmo, sem querer ser melhor que o outro, servindo de barreira a esse projeto nefasto chamado Neoliberalismo. O eu neoliberal poder se transformar no nós, basta somarmos forças e acreditarmos em um mundo menos injusto e divisório do que este

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