segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

SONHO OU REALIDADE - ACONTECEU NO SÃO JOÃO

Professor Wagner Freitas

Data: 22/05/2005

O que vou relatar agora é um conto que se for conhecido por todos pode ser mera coincidência, mas repito: é fruto de um delírio de minha cabeça que anda meio atordoado.

Certo dia estava eu dormindo e caí em sono profundo e tive um sonho, aliás, um grande pesadelo. Foi um repente, mas que passou a mim como se fosse uma eternidade. Acordei logo depois de súbito e recordei, como num filme, o que se tinha passado. Preparem ibicuiensses e amantes do verdadeiro São João, esse pesadelo também atingiu vocês, direta ou indiretamente.

Foi em dias de São João, sei por que a cidade de Ibicuí estava repleta de gente, uma multidão e o som que se ouvia pelos quatro cantos eram puro forró, xaxado, baião, galopada, balance, xote, etc. Eu estava em um lugar não sei o certo, não sabia que rua era, mas era Ibicuí porque revia meus amigos de infância. Aí eu lembro que andei com eles até a praça principal. Qual foi minha surpresa vi que todos que estavam na praça tinham os mesmos trajes de carnaval, todos iguais, como se fossem em um bloco. Fiquei pasmo porque eu e a minha turma estávamos sem esses trajes, tínhamos idos com roupas “caipiras” e seríamos motivos de chacotas. Aí observei que tinha algo estranho ao meu lado. Não existia mais as barracas, todas estavam com uma coisa que até pra pronunciar é complicado – um tal de Toldo (será que eu estava mesmo em Ibicuí ou em Salvador no tal de Arraiá da Capitá) . Bem, era diferente, palhas não se viam mais. Fiquei atônito, mas resolvi sentar pra tomar uma cerveja, pra aliviar a mente, essa confusão toda. Pedi uma cerveja, claro que nem precisa dizer a embalagem, mas vi que o garçom trazia uma cerveja em LATA, isso mesmo, em LATA. Esperei vim até a mim o garçom, pois talvez fosse um engano dele, disse: amigo você pode me trazer um cerveja em garrafa e não em latinha, pois eu estou com um grupo de amigos e não vou pedir 25 latinhas. Ele me disse que era proibido, isso mesmo, PROIBIDO, vender latinha, pois assim estava decretado. Cocei a cabeça e resolvi chamar os amigos para irmos a outro lugar, talvez lá pudesse ter uma cerveja em garrafa – vê se pode, íamos não observar a marca da cerveja como a maioria fazem, e sim ver se tinha em latinha ou garrafa. Passamos por várias barracas e nada de garrafa. Um amigo meu disse: galera, vamos tomar assim mesmo. E então resolvemos tomar uma(s). Qual foi minha surpresa: um grupo de crianças ao redor esperando agente tomar uma (s) cerveja, nem esperavam terminar o líquido e eles já estavam balançando as latinhas pra ver se já estavam secas. A praça estava lotada de crianças trabalhando, se é que podemos chamar isso de trabalho.

Fui pedir esclarecimentos do porque dessa decisão. Procurei informação a um morador da localidade e ele me disse que a festa está assim “nova, moderna, diferente”, porque foi uma decisão judicial. Oxente, como é? Disse eu. O juiz decretou assim por quê? Perguntei. E ele me respondeu: a é porque nesse período existe um exorbitante desmatamento em Ibicuí para tirar palhas e colocar no ornamento e também é nesse período que aumentam as violências com garrafas aos foliões. Fiquei atônito, pois sou um freqüentador assíduo e nunca percebi isso, será que eu estava ficando desorientado ou até mesmo cego para não perceber isso? Falei, fulano, isso está comprovado em estatística, existiu algum estudo científico que comprove isso? Ele me respondei com a cabeça que não. Mas o pior não foi isso, foi quando ele disse que em Ibicuí há muito tempo não existe mais tradição junina típica e que não faz mal ter essas inovações. A minha resposta foi imediata: pode não ter mais os folguedos juninos, mas enquanto existir povo, a sociedade ibicuiensse, irá sim existir tradição, pois a maior tradição de uma festa é o seu povo, e principalmente a memória e lembranças passadas de geração para geração. Aí parei, sentei no chão e relembrei (isso tudo no sonho gente) que um dia isso aqui já teve palhoça, barracas com palhas, fogueira, pau-de-sebo, quebra-pote, quadrilhas, sanfoneiros, mas o que mais aterrorizou-me foi saber que na minha cidade LÁ TINHA tudo isso.

É minha gente, tive que acordar logo e falar aos quatro cantos sobre esse sonho – desculpe, pesadelo. Além do mais no sonho/pesadelo alguém tinha me revelado que o tal do toldo custava os olhos do rei, e tava difícil ganhar dinheiro dessa forma. Acho que foi algum barraqueiro. Mas acordei suado, tomei um banho e voltei pra minha realidade, o meu bestado cotidiano, ou será que eu investi os papéis?????

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