| Lendo duas matérias do jornal A Região, a primeira do dia 14 de maio de 2005 e a segunda datada em 21 de maio do mesmo ano, ambas na coluna Carta do Leitor duas observações me aguçou a curiosidade. Uma falava sobre a guerra contra o povo iraquiano e a outra sobre o governo Lula e o PT. Iremos observar e analisar essa duas vertentes para entendermos, com outros olhares, a realidade global. O Iraque é um país conturbado, formado através de inúmeras tensões sociais e religiosas durante os anos de sua formação. Mesmo com a concretização da ditadura através de seus chefes políticos, culturalmente aceita por lá, desde o surgimento do país, o povo do Iraque vivia em relativa paz e tranqüilidade. Com a invasão de Bush, a sociedade vive hoje no meio de guerra, bomba, atentados, tiros, sem perspectiva de nenhuma paz. Bush fez esse ataque alegando que o Iraque detinha em seu poder armas nucleares – isso nunca foi comprovado até hoje. Primeiro ele disse que Saddam Hussein era uma ameaça aos EUA. Vejam só: como é que um país do outro lado do mundo, sem tecnologia de ponta, sem força aérea naval, poderia ameaçar os norte-americanos? Em seguida o Bush inventou que Saddam tinha “armas de destruição em massa”, repito, até hoje nunca foi comprovado a veracidade dos fatos. Outra observação é que se realmente existissem tais armas, seria impossível jogar sobre os ianques, assim como sobre Israel (aliadíssima dos EUA) – este sim possui bombas atômicas e outras armas de destruição em massa. Depois da invasão, Bush alegou que o povo iraquiano tinha direito a democracia. Agora perguntamos: alguém fez um plebiscito popular para averiguar quantos queriam tal regime? O povo iraquiano foi escutado alguma vez? Sempre é assim: as decisões de poder não são lançadas para averiguações populares, ficando em mãos de quem se acham no dever de pensar para o povo. Como diz o autor: “o Iraque, como a maioria dos países árabes, tem sua cultura fundamentada no governo real, ou ditador (...) É cultura deles e têm direito a ela”. Vejam agora outro ângulo: se for implantar a democracia – que nunca foi democrática, mesmo no período grego – na marra, porque então Bush não invadiu a Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes e a Síria? Lá também são governados por famílias reais ou ditaduras vitalícias. Sabemos que o Iraque é uma das potências em produção petrolífera e muito importante para as pretensiosas anexações de Bush. Democracia (pois ela é assim em sua essência) tem que ser escolhida pela maioria popular – que também não quer dizer que a maioria sempre está com a razão, à análise da razão é outra esfera filosófica que não cabe neste momento ser analisado – e não ser imposta a um povo, seja ele qual for. Isso também é elevado ao plano cultural, ficando infundado a imposição de outras culturas sobre uma cultura já formada e enraizada – fato esse feito pelos EUA desde há alguns tempos. Saldos dessa guerra de Bush: perca da estrutura de água potável, estradas, energia, colégio, bibliotecas, sem dizer do saques dos tesouros arqueológicos cometidos pelas tropas norte-americana sobre o povo iraquiano. Peças da civilização pré-Cristo se perderam, museus foram depredados, castelos e construções importantes da história da humanidade viraram poeiras, todos cometidos pelas tropas de um país que se acha o berço da civilização democrática. Uma pesquisa realizada no Iraque, feita pela ONU (Organização das Nações Unidas) sinaliza que 85% dos iraquianos se queixam das falhas no fornecimento de energia, só 54% têm acesso a água limpa e 25% das crianças sofre de desnutrição crônica. É essa a democracia que tanto o presidente Bush quer impor aos povos menos favorecidos economicamente? Cuidado América Latina e principalmente, fique alerto governo Lula. Já que tocamos no nome do cabra, ops! , desculpa Sr. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva – agora sim coloquei o devido tratamento – devemos analisar a conjuntura dos fatos de alguns dias pra cá. A corrupção é uma endemia brasileira desde os tempos de invasão lusitana em nosso território. E quase pouco ou nada se fez para combater esse mal – que para alguns acham que é necessário. Fernando Henrique Cardoso em seu governo criou mecanismos, leis, equipes e ferramentas para investigar as corrupções. Lula criou a Corregedoria Geral da União para também tentar coibir tal prática no Brasil. De cara veio um escândalo com o nome de José Dirceu. Um vídeo revelou um homem negociando em nome de Zé Dirceu com o Congresso combinando propina com um bicheiro para facilitar uma licitação com a CEF. Até hoje o caso está sem apurar. Depois vieram outros escândalos com os seus ministérios, como o ministro da Previdência (Romero Jucá), investigado por crimes graves. Tem o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles), investigado por sonegação e lavagem de dinheiro. Tem o caso da morte dos prefeitos de Santo André e o de Campinas, que até hoje não foi devidamente investigado pela proibição do governo Lula, pois podem revelar esquemas de corrupção do PT nas duas prefeituras. Tem o caso dos Correios que está uma luta de jogadas de poder e alianças pra ver se vai ou não ter CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Lula Gostava de dizer que o “dinheiro existe, o que falta é vergonha na cara”. Se seguirmos essa logística, então falta de vergonha na cara do Presidente Luiz Inácio. Podemos afirmar isso porque o Lula, o sindicalista, afirmava que se algum dia fosse presidente resolveria todos os problemas do Brasil. Sabemos que em quatro anos não dá, pois as elites brasileiras, apoiadas com outras elites, não deixaram alternativas, brechas para alguém do povo regular essa máquina chamada Brasil, mas já deveria ter sinais de transformações, porque para nós brasileiros mudança apenas é muito pouco. O seu partido (PT) em anos anteriores era extremamente a favor de CPI e Impeachment, agora tira o corpo de fora e tenta jogatinas de alianças, como se o nosso país fosse um tabuleiro de jogo, em que existem vencedores e perdidos. Só queremos saber quem são essas duas esferas. O retrato do Brasil está queimando com tantas denúncias de corrupção sem explicações que possam ser aceitas por alguém com mais de 5 anos. Concordo com Marcelo Leal, autor da Carta ao Leitor, quando esse diz que talvés “Lula não seja desonesto nem corrupto, mas vem deixando seus amigos, aliados e protegidos roubar, e muito”. Acredito que cabe ao governo Lula, que hora se diz governo e ora é apropriado pelos petistas – não é o meu caso que graças a Deus nunca fui filiado a partido nenhum – investigar e punir seja quem for, de amigos a aliados, de Zé Dirceu ao faxineiro, para provar que seu governo é honesto. Um salutar aqui se faz necessário: Eduardo Suplicy (Senador) e Valter Pinheiro (deputado) foram os únicos petistas que não assinaram contra a CPI dos correios. Como vovó já dizia: quem não tem colírio usa óculo escuro, mas não é bem verdade. Acho que já ouvi essa frase antes, não é mesmo Raul. |
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