segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

A UTOPIA DA REVOLUÇÃO FRANCESA ME PERSEGUE

Professor Wagner Freitas

Data: 05/06/2005

Quando o mundo verá outra manifestação popular tão grandiloqüente como foi a Revolução de 1789 na França? Esta é uma pergunta que há tempos vem me martelando o juízo. Seria possível uma outra revolução em pleno século XXI? Vejamos, ou melhor, remontemos à história e comparamos com o hoje. Será que dá?

Europa, século XVIII. A Inglaterra a todo vapor com sua revolução no setor industrial, o absolutismo monárquico se transformando em retrocesso político, pois a Grã-bretanha se tornou uma república parlamentarista – a burguesia se vê livre dos estanques barreirista da lei do Direito Divino e se faz presente no arsenal político econômico inglês. A França já tinha indícios de uma industrialização, claro que não como a Inglaterra, porém querendo se tornar uma. O povo vivia semelhante ao regime feudal, regime este fora de ascensão desde o século XV (com suas especificidades é claro). A França era um caldeirão, preste a explodir. Dentro deste caldeirão encontrava-se de um lado o povo faminto, sem terra, o pão (alimento básico) custando “os olhos da cara”, sem prestígio político, pagando altos impostos frente a uma classe cheia de privilégios e abonanças financeira – alta aristocracia, nobres, clero (detentor da maior parte das terras francesas) e o rei. As idéias iluministas aflorando sobre a Europa e o poder clerical sendo ameaçado. A burguesia queria se ver livre da intervenção do poder monárquico, queriam a derrubada do Antigo Regime. As disparidades eram enormes: o povo (Sans – Coulotes) passando necessidades, enquanto o segundo e terceiro Estado vivendo muito bem, obrigado.

Tudo indicava – e a história se constrói através das ações humanas – que alguma coisa iria acontecer. O povo manipulado pela burguesia se revoltou, acabou com o poder monárquico, levou a guilhotina o rei e sua família, foi proclamado o Direito do Homem e do Cidadão; mas o povo, a massa, estes não chegou ao poder.

E hoje, como vivemos? Não sendo anacrônico, percebo que a situação não se diferenciou abruptamente. É claro que os tempos são outros, mas a fome é a mesma. O mundo é dividido em dois blocos; aqueles que detêm o poder político e o econômico e, aqueles que estão à deriva e longe de possuir tais poderes. Mal possuem uma pequena terra para seu próprio cultivo. Será que não existe um revolucionário impotêncial capaz de mudar e direcionar o rumo deste nostálgico e pernicioso lei de mercado, que perdura no nosso dia-a-dia? Será que meus heróis, como dizia cazuza, morreram de overdose, ou foram mortos em alguma emboscada, ou foram contagiados pelo câncer abrupto das religiões edimacistas e/ou macelistas?

O caminho para nossa liberdade é através da educação, não essa educação burguesa ensinada nas maiorias das escolas, cujo intuito é dar conhecimentos direcionados para vestibulares – Ensino Bancário/Mercadológico. Seria uma aprendizagem mútua entre professor/aluno. O professor com sua eterna utopia revolucionária, porém conciso com o que está transmitindo ao aluno – tentando esclarecer, mostrando ao aluno a origem e os porquês dessa disparidade econômica em que a maioria da população do globo vive. É imprescindível para todos, pelo menos ter uma noção, uma reflexão, do que sejam essas grandes ciências chamadas História, Sociologia e a Filosofia (pai de todas as ciências). O homem visto por essas ciências é o cerne da questão. Para que termos uma boa saúde se vivemos nesta situação deplorável? Medicina como uma alternativa de vida e não simplesmente um meio de vida. Médicos, porque não se inspiram no grande Che Guevara? Será que o lucro e ter um carro na garage são o bastante para tua alma? Ou a miséria serve para o teu ápice escalar do poder econômico?

O mundo precisa de mais Revoluções – chega de transformação – com finais diferentes daquele ocorrido na França. O povo bem esclarecido do seu papel na história, tendo consciência e se rebelando desse quadro excludente, será capaz de derrubar um regime que outrora “ajudou” a colocou em voga e que agora lhe corrói segundo a segundo. Não sei se a via seja o socialismo, sei sim que não se pode mais permitir esse desatino chamado capitalismo.

Por: Wagner Freitas.

Nenhum comentário: