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| Sabemos da importância e da incondicional necessidade de todo e qualquer cidade ter o acesso a uma boa educação. É lei e está condicionado ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Não cumpri-lo é estar desrespeitando um cumprimento máximo da Nação. O acesso à educação é prioridade de qualquer governo seja ele de que partido for. Mas o que vemos em nosso país é algo vergonhoso e quando olhamos pra região do Nordeste e principalmente pra Bahia dá vontade de chorar. A importância do ato de ler e escrever é uma coisa que nós que aparentemente fazemos isso não sabemos o valor que isso tem. Percebi isso uma vez, ao observar o quanto minha avó materna queria poder ler a Bíblia que para ela é o livro mais importante de sua vida. Via o quanto minha avó sonhava em poder entender aquelas letrinhas miudinhas – pois a Bíblia dela tinha umas letrinhas bem pequenininhas – sem auxílio de ninguém. Um belo dia ela me disse que estava aprendendo a ler, devido a um curso que a sua igreja estava realizando, e ela ia pra escolinha com uma alegria danada de se ver. Recentemente vimos algo semelhante na novela América, em que o personagem, carreirinha, chorava quando percebeu que já assinava seu nome e que daquele momento em diante ele poderia escrever as suas cartas e ler as cartas que a ele eram dirigidos, sem que outra pessoa fizesse isso por ele. Agradeceu a sua professora e a um tal de Paulo – o Paulo que ele se referia era Paulo Freire, educador máximo brasileiro – e pôde assinar o seu nome na hora que foi realizado a cerimônia de seu casamento. Isso tudo é lindo e comovente mais a realidade em minha escola é outra, as relações sociais e a convivência diária são outros. Os problemas dos nossos alunos da rede pública são de matérias sociais, de necessidades básicas de vida como água, comida, trabalho, conflitos familiares, transportes, e principalmente de dinheiro, entre outros. Já os alunos da rede particular, as suas necessidades e carências são outras, passando por questões psicológicas, como crise de identidade, sexualidade, convivência familiar, questões amorosas etc. Na escola em que ensino a violência está mais escancarada, pessoas se agridem, ameaçam professores, polícia vai à procura de alguém, agressão aos professores (verbal e física), os limites da boa convivência não existem mais, puxaram a descarga. A realidade está aí escancarada pra todo mundo ver. Docentes estão cada vez mais desestimulados com sua profissão, não porque não gostam de dialetizar conhecimentos, mas porque a rua chegou e está dentro das salas de aulas. Ninguém observa o quanto é necessário existir professores, todos viram a cara e quando lembram, alguns, somente no dia do professor, que passa quase despercebido. O governo vira a cara, a família finge não existir, e a realidade da rua cada vez mais mostra que o mundo do estudo não compensa e sim o outro mundo, o submundo. E isso reflete no salário em que minha classe recebe, mal dá pra sobreviver dignamente – ter uma reserva pra bem dispor como queira. A minha classe pede socorro em meio a uma nação doente, todos surdos, mudos e cegos, paralisados frente e alheio a que acontece a sua volta. O mais fácil pra alguns é abolir esses multiplicadores de conhecimentos, robotizar todo mundo, controlar a todos. A classe majoritária economicamente queria mesmo que agente não existisse, o céu pra eles é uma vida sem convívio com essas pessoas que o incomodam. Eles nos abominam, e quando digo agente, estou me dirigindo a todos nós proletários sociais. Cada vez mais me certifico que a via mesmo é a radicalização da mudança, mas isso não acontece sem uma conscientização global, e isso é tarefa árdua e demora muito. Como temos pressa, o jeito então é usarmos das armas que temos, ou seja, reivindicar e lutar sempre em busca da concretização dos nossos direitos. |
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
UMA REFLEXÃO NA EDUCAÇÃO HOJE
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